Como o GISTM Está Reformando a Governança de Rejeitos na América do Sul
//: # (meta: O Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM) está transformando como as empresas de mineração sul-americanas abordam segurança, transparência e responsabilidade. Explore como Brasil, Chile e Peru estão se adaptando — e o que isso significa para o futuro da governança de rejeitos na região.)
Como o GISTM Está Reformando a Governança de Rejeitos na América do Sul
Introdução — o epicentro de uma mudança global
Quando o Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM) foi introduzido em 2020, marcou um ponto de virada para a indústria global de mineração.
No entanto, em nenhum lugar seu impacto foi mais visível do que na América do Sul — uma região que abriga centenas de instalações de armazenamento de rejeitos (TSFs), algumas das maiores e mais importantes do mundo.
O desastre de Brumadinho no Brasil (2019) se tornou o trágico catalisador para a criação do GISTM. No entanto, cinco anos depois, essa mesma região agora lidera o mundo na adoção e operacionalização do padrão.
Dos Andes à Amazônia, reguladores de mineração, operadores e investidores estão reformando estruturas de governança para se alinhar com a visão do GISTM de zero dano, responsabilidade total e transparência completa.
- A estrutura do GISTM — um resumo
O GISTM, desenvolvido conjuntamente pelo Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e pelos Princípios para o Investimento Responsável (PRI), define 15 princípios em seis áreas:
Comunidades afetadas
Base de conhecimento integrada
Projeto, construção, operação e monitoramento
Gestão e governança
Resposta a emergências e recuperação
Divulgação pública e transparência
Seu propósito é simples, mas ambicioso: garantir zero fatalidades e zero dano ambiental de longo prazo por falhas de instalações de rejeitos.
Mas o GISTM não é um “manual técnico”. É uma revolução de governança, incorporando princípios ESG — ética, responsabilidade e transparência — em cada camada de tomada de decisão.
- Por que a América do Sul é central para a implementação do GISTM Uma região moldada tanto pela tragédia quanto pela oportunidade
A América do Sul abriga mais de 40% das instalações de armazenamento de rejeitos ativas do mundo, concentradas em potências de mineração como Brasil, Chile e Peru. A combinação única da região de:
Topografia íngreme,
Alta precipitação,
Atividade sísmica, e
Áreas a jusante socialmente densas,
torna o risco de rejeitos particularmente alto.
Os desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) no Brasil expuseram falhas sistêmicas — governança fraca, transparência insuficiente e falta de supervisão independente.
O GISTM forneceu um roteiro para transformar essas falhas em reforma. Não é coincidência que a América do Sul se tornou tanto a origem quanto o campo de testes do novo padrão.
- Brasil — da tragédia à transformação Evolução regulatória
O Brasil foi o adotante mais agressivo de regulação alinhada ao GISTM. A Agência Nacional de Mineração (ANM) respondeu a Brumadinho com reformas radicais:
A Resolução 13/2019 proibiu barragens de rejeitos a montante — o tipo que falhou em Brumadinho.
A Resolução 95/2022 estabeleceu novos parâmetros técnicos de segurança e padrões de planejamento de emergência consistentes com os princípios do GISTM.
Os sistemas obrigatórios de classificação de risco agora espelham o modelo baseado em consequências do GISTM (Extremo, Muito Alto, Alto, etc.).
Implementação corporativa
Vale, Anglo American e Nexa Resources se comprometeram com a conformidade total do GISTM em todas as instalações até 2025, com a Vale já declarando 100% de suas instalações de alta consequência conformes até 2023.
O modelo de governança corporativa da Vale agora inclui:
Um Executivo Responsável para cada instalação.
Um Conselho de Revisão Independente (IRB).
Relatórios públicos alinhados com a estrutura de divulgação do ICMM.
O Brasil efetivamente se tornou um laboratório vivo para o GISTM em ação — demonstrando como uma nação pode transformar reformas de responsabilidade em valor ESG corporativo.
- Chile — integração através de força institucional Uma base de regulação técnica sólida
O setor de mineração do Chile já tinha regulamentos de rejeitos robustos antes do GISTM, notadamente o Decreto DS248, que governa o projeto, construção, operação e fechamento de TSFs.
O que é novo é como os princípios do GISTM estão sendo integrados às estruturas de governança corporativa e transparência:
A Codelco estabeleceu uma divisão corporativa de supervisão de rejeitos que reporta diretamente ao CEO.
A Antofagasta Minerals alinhou seus planos de preparação para emergências com os requisitos de engajamento social do GISTM.
O Serviço Nacional de Geologia e Mineração (SERNAGEOMIN) está colaborando com o ICMM para alinhar protocolos de auditoria e inspeção com o GISTM.
A abordagem do Chile é mais institucional e harmonizada — adaptando princípios globais para se ajustar aos padrões nacionais em vez de duplicá-los.
- Peru — acelerando em direção à governança integrada Uma ênfase crescente em transparência e ESG
O Peru, outro líder regional de mineração, está dando passos importantes em direção ao alinhamento com o GISTM através de novas iniciativas de política e dados.
O Ministério de Energia e Minas (MINEM) lançou uma revisão das diretrizes de rejeitos para incorporar requisitos de governança, gestão de riscos e divulgação alinhados ao GISTM.
Empresas de mineração como Buenaventura e Southern Copper adotaram estruturas de governança corporativa de rejeitos modeladas nos 15 Princípios do GISTM.
Programas piloto para monitoramento digital e compartilhamento de dados em tempo real estão em andamento em parceria com universidades e ONGs.
O modelo do Peru enfatiza transparência e integração de dados — transformando conformidade em uma oportunidade de inovação.
- Além da conformidade — como o GISTM está mudando a cultura corporativa
A maior mudança não é apenas técnica — é cultural. O GISTM exige que as empresas:
Elevem o risco de rejeitos ao nível do conselho.
Integrem o engajamento social no planejamento operacional.
Garantam supervisão independente através de Engenheiros de Registro (EoRs) e IRBs.
Comprometam-se com a divulgação pública de dados de desempenho.
Estes não são “extras opcionais”. Eles redefinem como as empresas de mineração pensam sobre responsabilidade.
No Brasil, por exemplo, as comunidades locais perto de barragens de rejeitos agora participam de simulados de emergência e sessões de comunicação de risco — um resultado direto do Princípio 12 do GISTM.
Essa mudança cultural está fomentando confiança, transparência e responsabilidade compartilhada — ingredientes essenciais para a sustentabilidade de longo prazo da mineração.
- Desafios regionais — a implementação não é uniforme
Apesar do progresso, desafios persistem:
Demandas de custo e recursos: Operadores menores lutam com o ônus financeiro e técnico da conformidade total com o GISTM.
Lacunas na gestão de dados: Bases de conhecimento integradas (Princípio 4) requerem sistemas digitais que muitos sites não possuem.
Capacidade de revisores independentes: Há escassez de Engenheiros de Registro qualificados e membros de IRB na América Latina.
Sobreposição regulatória: Os países devem alinhar os padrões nacionais com o GISTM sem criar redundância.
Abordar essas lacunas requer colaboração regional, programas de treinamento compartilhados e construção de capacidade — algo em que o ICMM e associações de mineração locais já estão trabalhando.
- Oportunidades — inovação, transparência e liderança ESG
Apesar de todos os seus desafios, a implementação do GISTM estimulou a inovação em toda a região:
Gêmeos digitais e monitoramento com IA: Vale e Nexa agora usam análise preditiva para detectar anomalias na estabilidade de barragens.
Sensoriamento remoto e monitoramento por satélite: Empresas chilenas estão usando tecnologia InSAR para fornecer supervisão contínua.
Painéis de engajamento comunitário: Minas peruanas estão experimentando com plataformas baseadas na web para compartilhar atualizações de segurança em tempo real.
Ao conectar tecnologia com transparência, a América do Sul está demonstrando como o GISTM pode impulsionar tanto conformidade quanto modernização.
- Olhando para frente — liderança regional em governança global
À medida que o prazo de conformidade do GISTM 2025 se aproxima para todas as instalações em todo o mundo, a experiência da América do Sul está estabelecendo a referência para a governança global de mineração.
O que está emergindo é um modelo regional que:
Combina rigor técnico com responsabilidade social.
Equilibra realidades locais com expectativas ESG globais.
Usa transparência como catalisador para reconstruir a confiança pública.
Isso não é mais sobre evitar falhas — é sobre liderar uma transformação.
Conclusão — o setor de mineração da América do Sul em uma encruzilhada
A implementação do GISTM no Brasil, Chile e Peru marca uma nova era para a governança de mineração. O que começou como resposta à tragédia evoluiu para um movimento abrangente em direção à gestão de rejeitos ética, transparente e tecnicamente sólida.
A América do Sul está mostrando ao mundo que conformidade e competitividade podem coexistir — que uma região antes sinônimo de risco pode se tornar um modelo global de mineração responsável.
O GISTM não está apenas elevando o padrão — está mudando o jogo.
Fontes e leituras adicionais: Global Tailings Review; Resoluções ANM Brasil; Chile DS248; orientação MINEM Peru.