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Entendendo o Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM): Uma Visão Geral Completa

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//: # (meta: Aprenda o que é o Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM), por que foi criado, seus princípios fundamentais e como as empresas de mineração estão implementando-o para prevenir futuros desastres de barragens de rejeitos.)

Entendendo o Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM): Uma Visão Geral Completa

Introdução: da tragédia à transformação

O Padrão Global da Indústria sobre Gestão de Barragens de Rejeitos (GISTM) representa uma das reformas de segurança e governança mais significativas na história da mineração. Desenvolvido após o desastre da barragem de rejeitos de Brumadinho no Brasil (2019), que ceifou 270 vidas e causou imensos danos ambientais, o GISTM estabelece garantir que zero dano a pessoas e ao meio ambiente se torne o objetivo universal para cada instalação de rejeitos na Terra.

Lançado em agosto de 2020 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), o GISTM define 15 princípios e 77 requisitos que se aplicam a todo o ciclo de vida de uma instalação de rejeitos — desde a seleção do local e projeto até o fechamento e monitoramento pós-fechamento.

Esta publicação explica as origens, estrutura e objetivos do GISTM, e oferece perspectivas sobre como está transformando as operações de mineração em todo o mundo, especialmente em regiões como a América do Sul onde o risco de rejeitos é agudo.

Por que o GISTM foi criado — lições das falhas

Antes do GISTM, a governança de rejeitos era fragmentada. Cada país tinha suas próprias regras, e a conformidade variava amplamente. Apesar de décadas de progresso técnico, falhas catastróficas continuaram — notadamente:

Mount Polley (Canadá, 2014): problemas de projeto e balanço hídrico levaram a uma liberação ambiental massiva.

Samarco (Brasil, 2015): a falha estrutural liberou 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos, causando 19 mortes e devastando ecossistemas fluviais.

Brumadinho (Brasil, 2019): o colapso da barragem em uma instalação desativada matou 270 pessoas.

O que torna o GISTM diferente dos padrões anteriores

Os padrões de rejeitos mais antigos focavam quase inteiramente no projeto técnico e estabilidade. O GISTM muda o paradigma ao incorporar a responsabilidade social e de governança em cada etapa.

As principais diferenças incluem:

Responsabilidade no nível do conselho. Um executivo corporativo sênior — o Executivo Responsável — deve garantir a implementação e reportar ao conselho.

Supervisão independente. As instalações devem ser revisadas por um Engenheiro de Registro (EoR) independente e, para locais de alta consequência, um Conselho de Revisão Independente (IRB).

Requisitos de transparência. Divulgação pública regular do status de cada instalação, nível de risco e ações corretivas.

Cobertura do ciclo de vida. O padrão se aplica desde a seleção do local até o pós-fechamento, não apenas durante a operação.

Inclusão comunitária. Os operadores devem envolver as comunidades na preparação para emergências e na divulgação.

Esta combinação de rigor técnico e governança social faz do GISTM uma estrutura holística — mais alinhada com os princípios ESG e as expectativas modernas dos investidores.

Quem deve cumprir — e até quando

Todas as empresas membros do ICMM se comprometeram a trazer suas instalações de rejeitos para conformidade até:

Agosto de 2023 para instalações de “consequência extrema e muito alta”;

Agosto de 2025 para todas as outras instalações.

Outros grandes operadores e instituições financeiras estão adotando voluntariamente o GISTM como referência de devida diligência — o que significa que mesmo minas não pertencentes ao ICMM estão sendo indiretamente pressionadas a cumprir para manter acesso a investidores, obter seguros ou garantir financiamento de projetos.

Para apoiar a conformidade e garantia, o Instituto Global de Gestão de Barragens de Rejeitos (GTMI) foi estabelecido para fornecer certificação e supervisão independente.

Implementação na prática — exemplos da América do Sul

A América Latina, particularmente Brasil, Chile e Peru, tem sido central para a implementação do GISTM:

Brasil: Após Brumadinho, grandes operadores como Vale, Anglo American e Kinross priorizaram as TSFs brasileiras para conformidade com o GISTM. Muitas instalações agora são certificadas de forma independente.

Chile: Operadores como BHP, Teck e Antofagasta relatam alta aderência, integrando códigos de projeto resistentes a sismos e sistemas de rejeitos filtrados.

Peru: Empresas como Gold Fields e Antamina publicam relatórios de divulgação no nível das instalações, demonstrando conformidade e envolvendo comunidades locais em locais de alta altitude.

Nessas regiões, o GISTM está moldando novas normas de transparência, comunicação de riscos e projeto baseado em consequências — muito além da conformidade tradicional de engenharia.

Desafios para a adoção do GISTM

Implementar o GISTM é complexo. Os principais desafios incluem:

Instalações legadas. Muitas barragens antigas foram construídas sob padrões obsoletos, tornando a modernização custosa e tecnicamente desafiadora.

Lacunas de dados. Registros geotécnicos ou hidrológicos incompletos complicam a classificação de riscos.

Custo e capacidade. Operadores menores e países em desenvolvimento enfrentam restrições de recursos para conformidade total.

Fadiga de garantia. Múltiplas auditorias sobrepostas (GISTM, ISO, ESG) sobrecarregam as equipes.

Mudança cultural. Incorporar responsabilidade e transparência requer mudança organizacional, não apenas correções técnicas.

Apesar dessas barreiras, o impulso da indústria — impulsionado por investidores, seguradoras e pressão pública — continua a acelerar a adoção.

O panorama geral — GISTM como referência ESG

A importância do GISTM se estende além da gestão de rejeitos. Ele representa um modelo para futuros padrões ESG na mineração: baseado em resultados, harmonizado globalmente e auditável de forma independente.

Para investidores e comunidades, fornece a garantia de que os riscos ambientais e sociais estão sendo gerenciados sistematicamente. Para as empresas de mineração, oferece uma estrutura credível para demonstrar responsabilidade e resiliência em um mundo que exige maior transparência.

Pontos-chave para operadores

Se você está envolvido na gestão de rejeitos, eis o que o GISTM significa para você:

Comece com uma classificação de consequências no nível do portfólio — saiba quais instalações devem cumprir primeiro.

Nomeie seu Executivo Responsável e formalize as relações com o EoR.

Construa uma base de conhecimento — todos os dados, relatórios, resultados de monitoramento e decisões devem ser gerenciados centralmente.

Estabeleça um plano de divulgação pública cedo; a transparência reduz o risco reputacional.

Incorpore a preparação para emergências e o engajamento comunitário como práticas centrais, não projetos secundários.

Esses passos não apenas apoiam a conformidade, mas fortalecem a governança e a confiança das partes interessadas.

Fechamento — um novo contrato social para a mineração

O GISTM representa mais do que um padrão técnico — é um novo contrato social entre a indústria de mineração e o mundo. Ele exige que os operadores tratem os rejeitos não como uma questão de gestão de resíduos, mas como um desafio central de sustentabilidade ligado à segurança humana, ética corporativa e administração ambiental.

Para que a mineração mantenha sua licença para operar, a conformidade com o GISTM está se tornando inegociável. E para aqueles que lideram na implementação, também é uma vantagem estratégica — sinalizando transparência, responsabilidade e resiliência a longo prazo.

Fontes e leituras adicionais: Global Tailings Review; materiais do UNEP/PRI/ICMM; relatórios de divulgação GISTM das principais empresas.